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:: Doutrina de
Deus
O
caráter de Deus: os atributos
"incomunicáveis"
- Como
sabemos que Deus existe?
- Podemos
realmente conhecer Deus?
- Em
que sentido Deus é diferente de nós?
I.
Explicação e base bíblica
- Dentro
do estudo de Deus, pode-se examinar vários
aspectos do caráter de Deus, tradicionalmente
conhecidos como seus "atributos". Contudo faz-se
necessário começarmos pela Sua existência. A
introdução a algumas das evidências da
existência de Deus nos proporcionará o
fundamento útil para o estudo de Seu caráter, e,
além disso, se Deus existe, é realmente possível
que nós O conheçamos?
A
existência de Deus
- Todas
as pessoas, em todos os lugares possuem o
profundo senso interior de que Deus existe, de
que elas são criaturas e de que Ele é o Criador
delas. Paulo diz que até os gentios conheceram a
Deus, mas "não o
glorificaram como Deus, nem lhe deram graças"
(Rm. 1.21) e que "trocaram a
verdade de Deus pela mentira" (Rm. 1.25).
- Paulo
sugere que eles trocaram de forma ativa e
intencional alguma verdade que conheceram a
respeito da existência e do caráter de Deus "o que de
Deus se pode conhecer é manifesto entre eles...
porque Deus lhes manifestou" (Rm
1.19).
- A
Escritura reconhece que alguns negam este senso
interior de Deus e negam até que Deus existe, e
chama a estes de "tolos" (Sl 14.1;
53.1).
- Sl
10.3-4 indica que o pecado conduz as pessoas a
pensar irracionalmente e a fazê-las negar a
existência de Deus e que somente quem pensa
irracionalmente e está enganado poderá dizer:
"Deus não existe".
- Além
da consciência interior de Deus que as pessoas
possuem, a clara evidência de sua existência
pode ser vista na Escritura e na natureza. De
fato, a Bíblia toda parte do princípio de que
Deus existe, em Gn 1.1, não apresenta evidência
de que Deus existe, mas nos mostra o que ele
faz! Se estivermos convencidos de que a Bíblia é
verdadeira, então sabemos não somente que Deus
existe, mas também conhecemos muito sobre sua
natureza e seus atos.
- O
mundo também apresenta evidência abundante da
existência de Deus (Rm 1.20). Cada elemento da
criação, em algum sentido, evidencia o caráter
de Deus. O homem em si mesmo, criado à imagem de
Deus, testifica a existência de Deus. (At
14.17; Sl 19.1-2) Toda a natureza manifesta a
existência e o poderio do
Senhor.
- Quando
cremos que Deus existe, baseamos nossa crença
não em alguma esperança cega independente de
qualquer evidência, mas na esmagadora e
confiável evidência retirada das palavras de
Deus e de suas obras.
- A
rejeição da evidência manifestada da existência
de Deus não significa que ela seja inválida em
si mesma, mas somente que quem a rejeita a
avalia de modo errôneo.
A
cognoscibilidade de Deus
- Mesmo
se cremos que Deus existe isso não nos diz se é
realmente possível conhecê-lo, nem nos diz o
quanto de Deus pode ser
conhecido.
- Porque
Deus é infinito e nós somos finitos e limitados,
nunca podemos entender Deus plenamente. (Sl
145.3; 147.5; 139.6) Ele é grande demais para
ser plenamente conhecido e nunca seremos capazes
de alcançar plenamente o entendimento de
Deus.
- 1
Co 2.10,11; Rm 11.33 nos mostram que não somente
é verdadeiro que jamais podemos entender Deus
plenamente, mas é também verdadeiro que nunca
podemos entender plenamente qualquer simples
coisa a respeito de Deus. (Sl 145.3; 147.5;
139.6; Rm 11.33)
- Podemos
conhecer alguma coisa a respeito de como o amor
de Deus se relaciona com cada atributo e com
cada coisa individual no universo, mas não
poderemos nunca conhecer os atributos de Deus de
modo completo.
- Já
que nunca seremos capazes de conhecer "demais" a
respeito de Deus, jamais nos cansaremos de ter
prazer na descoberta infindável de sua
excelência e da grandeza de suas
obras!
- Embora
não possamos conhecê-lo completamente, podemos
conhecê-lo verdadeiramente! De fato tudo o que a
Escritura nos diz a respeito de Deus é
verdadeiro. (1 Jo 1.5; 4.8; Rm 3.26, Jo 4.24)
Ele é luz, é amor, é espírito, é justo. Dizer
isso não requer que saibamos tudo a Seu
respeito.
- Mais
significativo é o fato de que conhecemos o
próprio Deus! Não simplesmente fatos a seu
respeito, dizer que eu O conheço significa que
eu já O encontrei e falei com Ele, e que ainda,
desenvolvi algum grau de relacionamento pessoal
com Ele.
- Jr
9.23-24, Jo 17.3, Hb 8.11: a riqueza da vida
cristã inclui o fato de que temos um
relacionamento pessoal com Deus, temos o
privilégio muito maior que o de simplesmente
conhecer os fatos a Seu respeito, mas falamos
com Deus em oração, estamos em Sua presença e
Ele habita em nós e entre nós para nos abençoar
(Jo 14.23)! Este
relacionamento pode ser considerado a maior de
todas as bênçãos desta vida cristã.
Os
atributos de Deus
- Quando
falamos sobre o caráter de Deus, percebemos que
não podemos dizer tudo aquilo que a Bíblia nos
ensina a esse respeito de uma só vez, faz-se
necessário categorizar os atributos de Deus para
melhor aproveitamento didático. Diversos métodos
têm sido usados e há sempre a possibilidade de
adotarmos uma ordem que enfatiza mais alguns
atributos em detrimento de
outros.
- Os
atributos incomunicáveis de Deus são aqueles que
Ele não compartilha ou "comunica" a outros e os
atributos comunicáveis são aqueles que Ele
compartilha conosco, como o amor, Deus é amor e
nós somos capazes de
amar.
- Contudo,
essa distinção, embora útil, não é perfeita,
pois não há nenhum atributo de Deus que seja
completamente comunicável, e não há nenhum
atributo de Deus que seja completamente
incomunicável, isso ficará evidente se pensarmos
na sabedoria de Deus, nós também podemos ser
sábios, mas nunca seremos infinitamente sábios
como Ele é sábio. Sua sabedoria é em algum grau
compartilhada por nós, mas nunca plenamente. Ou
seja, os atributos "comunicáveis" de Deus são os
mais partilhados conosco.
Independência
- A
independência de Deus é definida do seguinte
modo: Deus não
precisa de nós ou do restante da criação para
nada, todavia nós e o restante da criação o
glorificamos e lhe trazemos
alegria.
- Em
diversos lugares a Escritura nos ensina que Deus
não precisa de parte alguma da criação a fim de
existir ou para outra razão qualquer. Deus é
absolutamente independente e auto-suficiente.
(At 17.24,25) Deus não precisa de nada da raça
humana (Jó 41.11; Sl
50.10-12).
- As
pessoas pensam às vezes que Deus criou os seres
humanos porque estava solitário e carente da
companhia de outras pessoas. Se isso fosse
verdade, certamente significaria que Deus não é
completamente independente de sua criação, mas
significaria que Deus precisou criar pessoas a
fim de ser completamente feliz e realizado em
sua existência pessoal.
- Jo
17.5, 24 indica que houve o compartilhamento de
glória entre o Pai e o Filho antes da criação e
que houve amor e comunicação entre o Pai e o
Filho antes da fundação do mundo, e nessa
comunhão não houve carência ou falta que
tornasse a criação da raça humana uma
necessidade.
- Somente
Deus existe em virtude da própria natureza, Ele
nunca foi criado e nunca veio à existência. Ele
sempre existiu (Ap 4.11, Jo 1.3, Rm11. 35-36, 1
Co 8.6, Sl 90.2) Assim, Deus não é dependente de
qualquer parte da criação para sua existência ou
para sua natureza.
- Deus
não precisa da criação para nada, mas também não pode
necessitar da criação para nada. A
diferença entre Criador e criatura é imensa, não
significa apenas que nós existimos e que Deus
sempre existiu, mas que Ele existe de modo
infinitamente melhor, mais forte e mais
excelente.
É como a diferença entre o sol e a vela,
o oceano e a gota d'água, mais que o universo e
este lugar onde estamos: o ser de Deus é
qualitativamente melhor, nenhuma limitação ou
imperfeição na criação deveria ser projetada em
nossa concepção de Deus. Tudo pode desaparecer
em
instantes... Ele
existe necessariamente para
sempre!
- No
entanto, nós e o
restante da criação o glorificamos e lhe
trazemos alegria, isso deve ser lembrado
para que a nossa existência não se torne sem
significado. Nós temos muita importância, porque
Deus nos criou e determinou que teríamos muito
significado para Ele (Is 43.7) Embora Deus não
precisasse nos criar, Ele escolheu criar-nos na
total expressão de sua livre escolha, para que O
glorificássemos (Ef 1.11,12; Ap
4.11).
- Somos
capazes de trazer verdadeira alegria e prazer a
Deus (Sf 3.17; Is 62.3-5), Deus não precisa de
nós para nada, mas é um fato impressionante de
nossa existência que Ele escolhe ter prazer em
nós e nos permite trazer alegria para o seu
coração.
Imutabilidade
- Deus
é imutável em seu ser, perfeições, propósitos e
promessas, todavia Deus age e sente emoções, e
Ele age e sente emoções de modo diferente em
resposta às diferentes
situações.
- Deus
não pode mudar para melhor uma vez que Ele é
perfeitamente santo. Ele nunca foi menos santo
do que é agora e jamais poderá ser mais santo do
que é ou foi. (Ml 3.6; Sl 102.25-27) Deus causa
mudança no universo, mas, em contraste, Ele é o
mesmo, Ele não mudou o seu ser ou o seu
caráter.
- Deus
também é imutável em seus propósitos, uma vez
que Ele tenha determinado que certamente haverá
de realizar seu plano, Ele o realizará (Sl
33.11; Mt 13.35; Ef 1.4,11; 3.9,11; 2 Tm
2.19).
- Deus
é imutável em suas promessas. Desde que tenha
prometido algo, certamente Ele não será infiel.
(Nm 23.19; 1 Sm15.29).
- Deus
muda de opinião? Podemos recordar ocasiões na
Escritura nas quais, Deus disse que julgaria seu
povo e, então por causa da oração ou
arrependimento, Deus arrependeu-se e não trouxe
juízo como havia dito. (Moisés e a "destruição"
do povo - Ex 32.9-14. Acréscimo de 15 anos à
vida de Ezequias - Is. 38.1-6. Nínive - Jn 3.
4,10).
- Tais
exemplos devem ser entendidos como a intenção de
Deus com respeito à situação como ela existe e
se manifesta naquele momento. Se a situação
muda, então, naturalmente a atitude ou expressão
da intenção de Deus muda. Isto é dizer que Deus
responde diferentemente a diferentes situações.
O propósito de proclamar a advertência é
produzir o arrependimento! (vide
apêndice).
- Porque
é importante que Deus não mude? Se Deus é
mutável, então a base total de nossa fé começa a
ruir, isso porque toda a nossa fé, esperança e
conhecimento são dependentes de uma pessoa que é
infinitamente digna de confiança - porque Ele é
absolutamente
imutável!
"Todas
as coisas em transformação
proclamam
Que
o Senhor permanece eternamente o mesmo"
(Charles Wesley)
Eternidade
- Deus
não tem começo, fim ou sucessão de momentos em
seu próprio ser, e ele vê todo o tempo de modo
vividamente igual, todavia Deus vê os eventos no
tempo e os atos no tempo.
- Pode-se
dizer que Deus nunca começou a existir de fato
(Sl 90.2; Jó 36.26; Ap. 1.8; 4.8) quando Deus
criou o universo Ele também criou o tempo, e
antes disso Ele já estava lá, sem começo e sem
ser influenciado pelo tempo. (Jd 25 - "antes de
todos os tempos, agora e para todo o
sempre").
- O
ser de Deus não possui uma sucessão de momentos
ou qualquer progresso de um estado de existência
para outro. Para o próprio ser de Deus tudo está
sempre no "presente".
- Deus
vê o tempo de modo igualmente vívido. Sl 90.4 e
2 Pe 3.8, de um lado Deus vê mil anos como o
"dia de ontem", Ele pode lembrar todos os
eventos detalhados ao menos tão claramente como
nós podemos lembrar dos nossos eventos de
"ontem".
- E
"um dia é como mil anos" significa que qualquer
dia visto da perspectiva divina parece durar
"mil anos", esta é uma expressão figurada de "um
tempo mais longo que alguém possa imaginar" ou
"a totalidade da
história".
- Assim,
a totalidade do espaço da história é tão vívido
como se fosse um evento breve que acabou de
acontecer, mas qualquer breve evento é como se
durasse para sempre.
- Deus
conhece os eventos no futuro, mesmo o futuro que
é infinitamente longo e eterno (Is 46.9,10).
- Nunca
devemos pensar que Deus vê todos os eventos como
acontecendo simultaneamente, ou que Ele não
saiba a diferença entre os eventos acontecidos
em
2000
a.C,
1000
a.C,
30 d.C ou entre esta manhã e esta
tarde.
Onipresença
- Deus
não tem tamanho ou dimensão espacial, e está
presente em cada ponto do espaço com a plenitude
do seu ser, todavia, Deus age diferentemente em
lugares diferentes.
- Deus
está presente em todo lugar (Sl 139.7-10; Jr23.
23,24) Não há nenhum lugar no universo, na terra
ou no mar, no céu ou no inferno, onde alguém
possa fugir da presença de
Deus.
- Não
há indicação alguma de que parte de
Deus está em um lugar e outra parte em outro
lugar, é o próprio Deus que está presente. Ele
não é limitado pelo espaço, assim é a totalidade
de seu ser que está presente em cada parte do
espaço.
- Não
devemos pensar que Deus é de certo modo "um
espaço maior" ou uma área maior que circunda o
espaço do universo. Deus existe sem tamanho ou
dimensão no espaço. (1 Rs 8.27; Is 66.1,2; At
7.48).
- Também
não devemos pensar que Deus seja equivalente a
qualquer parte da criação ou que seja o todo
dela. O panteísta crê que tudo é Deus, ou que
Deus é tudo o que existe. Mas sim, que Deus está
presente em todo lugar de sua criação e é
distinto dela.
- Deus
pode estar presente para punir, suster ou
abençoar. Como Deus pode estar presente no
inferno se de fato, o inferno é o oposto da
presença de Deus ou a ausência de Deus? (Am
9.1-4). É quando Deus está presente para
punir.
- Outras
vezes Deus está presente para suster ou manter o
universo existindo e funcionando do modo que Ele
pretendeu que funcionasse (Cl 1.17; Hb
1.3).
- Deus
também está presente para abençoar (Sl 16.11;
1Sm 4.4; Ex 25.22).
- Deus
também se faz "longe", pois não está presente
para abençoar (Is 59.2; Pv 15.29) o que não quer
dizer que não esteja presente naquele lugar, mas
que não está ali para abençoar as pessoas e dar
evidência de sua presença.
"Quando
você deseja fazer alguma coisa má, você se
retira do lugar público para sua casa, onde
nenhum inimigo possa vê-lo; você se afasta dos
lugares de sua casa que são abertos e visíveis
aos olhos dos homens para se esconder no seu
quarto; mesmo em seu quarto você teme algumas
testemunhas de outros lugares; você se retira
para o seu coração, onde você medita: ele é mais
interior que o seu coração. Para onde quer que
você fuja, lá está ele. De você mesmo, para onde
você fugirá? Você não irá atrás de si próprio?
Mas, já que há Um Ser mais interior que você
mesmo, não há nenhum lugar que você possa fugir
do Deus irado a não ser para o Deus
reconciliado. Não há
nenhum lugar para onde possa fugir.
Você fugirá dele? Fuja para ele.
(Herman
Bavinck)
Unidade
- Deus
não é dividido em partes, todavia vemos
diferentes atributos de Deus enfatizados em
tempos diferentes.
- A
Escritura nunca considera um atributo de Deus
mais importante que os restantes. Há uma
suposição de que cada atributo é completamente
verdadeiro em relação a Deus e que é verdadeiro
a respeito do caráter total de Deus.
- Deus
é luz (1 Jo 1.5), Deus é amor (1 Jo 4.8), não há
indicação alguma que parte de Deus é luz e outra
parte de Deus é amor, ou que Deus é mais luz do
que amor. O ser total de Deus inclui todos os
seus atributos: Ele é totalmente luz e
totalmente amor.
- Deus
não é o Deus de amor em algum ponto da história
e o Deus justo ou irado em outro momento. Ele é
o mesmo Deus sempre, e cada coisa que Ele diz ou
faz é plenamente coerente com todos os seus
atributos.
- Por
sermos incapazes de captar todo o caráter de
Deus, aprendemos dele suas diferentes
perspectivas durante um período de tempo, porém,
estas perspectivas não se opõem uma à outra,
pois são modos diferentes de olhar para a
totalidade do caráter de Deus.
- Certas
ações de Deus revelam alguns de seus atributos.
A criação demonstra seu poder e sabedoria, o
juízo de Sodoma e Gomorra demonstra sua
santidade e justiça em ira, a expiação mostra
seu amor e justiça, mas todos esses eventos
mostram de um modo ou de outro o seu
conhecimento, santidade, misericórdia, verdade,
paciência e soberania.
II.
Questionário para revisão
- Além
da Bíblia, que evidência temos de que Deus
existe?
- Diferencie
os atributos incomunicáveis e os atributos
comunicáveis de Deus.
- Diante
da imutabilidade de Deus, o que a Bíblia que
dizer quando fala de Deus mudando de
idéia?
- O
tempo tem algum efeito sobre Deus?
Explique.
- Se
Deus está presente em todo lugar, como Ele pode
estar presente no inferno, se este é um lugar de
sofrimento e dor?
- Há
algum atributo de Deus que é mais
verdadeiro, ou descreve melhor a Deus, do
que outros? Explique.
III.
Passagem bíblica para memorizar
Sl
102. 25-27
Os
atributos comunicáveis de Deus
- Em
que sentido Deus é igual a nós?
I.
Explicação e base bíblica
- Os
atributos comunicáveis de Deus devem ser
imitados em nossa vida (Ef
5.1)
- Tais
atributos, que são mais compartilhados conosco,
não abrange tudo o que é dito na Bíblia a
respeito do caráter de Deus. Em razão da
excelência de Deus ser tão rica e plena, outros
atributos poderiam ser
listados.
A.
Atributos que descrevem o ser de Deus
Espiritualidade
- Deus
existe como um ser que não é feito de matéria
alguma, que não possui partes ou dimensões, que
é incapaz de ser percebido pelos nossos sentidos
físicos, e é mais excelente que qualquer outra
espécie de
existência.
- Deus
é espírito (Jo 4.24) e significa que Ele não
está limitado a um local relacionado ao espaço,
assim, a verdadeira adoração diz respeito não ao
lugar físico, mas à condição espiritual interior
do adorador.
- Ele
não possui um corpo físico, nem é feito de
qualquer espécie de matéria que tenha semelhança
com o restante da criação. Ele não é meramente
uma energia ou pensamento. Mas sim uma espécie
de existência muito superior a tudo que está
relacionado à existência
material.
- Ele
nos deu um espírito por meio do qual O adoramos
(Jo 4.24; 1 Co 14.14; Fp 3.3) e estamos unidos
ao Espírito do Senhor (1 Co 6.17). Assim, há
claramente alguma comunicação de Deus para nós
de natureza espiritual que é algo que pertence à
nossa natureza, embora certamente não em todos
os aspectos.
Invisibilidade
- A
essência total de Deus, tudo de seu ser
espiritual, nunca será visível para nós, todavia
Deus ainda se mostra a nós por meio das coisas
visíveis criadas. (Jo
1.18; Jo 6 46; 1 Tm 6.16).
- Tais
passagens foram escritas após muitos eventos nos
quais pessoas viram algum tipo de manifestação
externa de Deus (Ex 33.11 - "O Senhor falava com
Moisés face a face"; todavia "você não poderá
ver a minha face, porque ninguém poderá ver-me e
continuar vivo" Ex 33.20).
- Teofania
é uma "aparição de Deus", onde Deus assume
várias formas visíveis para mostrar-se ao povo
(Abraão - Gn 18.1-33; Jacó - Gn 32. 28-30; ao
povo de Israel como coluna de fogo e de nuvem -
Ex 24.9-11; a Isaías - Is 6.1; a Manoá e sua
esposa - Jz 13.21,22).
- A
manifestação visível muito maior de Deus que
estas teofanias do AT foi encontrada na pessoa
de Cristo: "Quem me vê, vê o Pai" (Jo 14.9).
- É
correto dizer que, embora a essência total de
Deus nunca possa ser vista por nós, no entanto
Deus ainda nos mostra alguma coisa de si mesmo
por meio das coisas criadas, visíveis e
especialmente na pessoa de Cristo. (Hb 1.5; Cl
1.15)
- E
no céu, como veremos a Deus? Nunca seremos
capazes de ver ou de conhecer tudo de Deus (Jó
36.26; Jo 6.46; 1 Tm 1.17; 6.16; 1 Jo 4.12),
contudo, nós veremos a Deus! (Mt 5.8; 1 Co
13.12; 1 Jo 3. 2; Ap 22. 3, 4).
- Quando
percebemos que Deus é a perfeição de tudo que
desejamos, que Ele é a soma de tudo o que é belo
e desejável, então percebemos que a maior
alegria da vida por vir será que "nós veremos
sua face" (1 Jo 3.2; 1Co 3.18).
B.
Atributos mentais
Conhecimento
(onisciência)
- Deus
conhece plenamente a si mesmo e a todas as
coisas reais e possíveis em um ato simples e
eterno.
(Jó 37.16; 1 Jo 3.20)
- Deus
conhece a si mesmo, mesmo sendo ilimitado e
infinito (1 Co 2.10,11). O seu conhecimento
abrange tudo o que existe, tudo o que acontece e
que pode acontecer, (Hb 4.13; 2 Cr 16.9; Jó
28.24; Mt 10.29,30), incluindo os eventos que
podem acontecer, mas que realmente não acontecem
(Mt 11.21 - Tiro e Sidom; 1 Sm 23. 11-13; 2 Rs
13.19).
- Se
Ele desejasse saber o numero de grãos de areia
da praia ou das estrelas do céu, não teria de
contá-los rapidamente, como num computador
gigante, nem teria que calcular na sua mente,
ele simplesmente conhece todas as coisas em um
só ato, de uma vez. Ele não tem de raciocinar ou
ponderar para chegar a conclusões, pois Ele
conhece o fim desde o começo e nunca aprende nem
esquece nada (Sl 90.4).
- O
conhecimento de Deus nunca muda ou cresce, é um
ato eterno, desde a eternidade, Ele tem
conhecimento de todas as coisas que poderiam
acontecer e de todas as coisas que
faria.
Sabedoria
- Deus
sempre escolhe os melhores alvos e os melhores
meios para chegar a esses alvos.
Tal
definição vai além da idéia de Deus conhecer
todas as coisas e especifica que as decisões de
Deus a respeito do que Ele fará são sempre
decisões sábias - isto é, elas sempre serão
realizadas com os melhores resultados (da
perspectiva de Deus!) e produzirão os resultados
por meio dos melhores meios possíveis.
- Ele
é o único Deus sábio (Rm 16.27) e sua sabedoria
é visível na criação (Sl 104.24). Sua sabedoria
também é mostrada em nossa vida individual:
"Sabemos que Deus age em todas as coisas para o
bem daqueles que o amam, dos que foram chamados
de acordo com o seu propósito (Rm 8.28). Mesmo
quando nós não entendemos o que Ele está fazendo
e nem qual o seu propósito (1 Pe 4.19; Dt 29.29;
Pv 3.5,6).
- Todas
as coisas que acontecem em nossa vida e por meio
delas Ele nos faz progredir para o alvo da nossa
conformidade à imagem de Cristo (Rm 8.29).
Quando não somos capazes de compreender os seus
atos, devemos simplesmente confiar no Senhor (1
Pe 4.19; Pv 3.5,6).
- Ele
está disposto a compartilhar sua sabedoria
conosco (Tg 1.5; Sl 19.7; Dt 4.6-8; Sl 111.10;
Pv 9.10), ela vem pela leitura e obediência à
sua Palavra: "A lei do Senhor é perfeita e
revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são
dignos de confiança e tornam sábios os
inexperientes." Sl 19.7 (Dt 4.6-8).
C.
Atributos morais
Amor
- O
amor de Deus significa que Deus se dá
eternamente aos outros.
Ou seja, o amor de dar a si próprio para o
benefício de outros. (1 Jo 4.8; Jo 17.24;
14.31)
- "Nisto
consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a
Deus, mas
em
que Ele
nos amou e enviou seu Filho como propiciação
pelos nossos pecados" (1 Jo 4.10). Paulo
escreve: "Mas Deus demonstra seu amor por nós:
Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos
pecadores" (Rm 5.8) e João: "Porque Deus amou o
mundo de tal maneira que deu o seu Filho
Unigênito, para que todo aquele que nele crê não
pereça, mas tenha vida eterna" (Jo 3.16).
- O
amor de Deus nos revela a sua bondade. Ela está
ligada à sua misericórdia e graça. A
misericórdia de Deus significa a bondade de Deus
para com aqueles que estão em miséria e
angústia. A graça de Deus significa sua bondade
para quem merece somente punição. (Ex 34.6; Sl
103.8; Rm 3.23,24).
- Devemos
amar a Deus em retribuição e amar aos outros,
imitando ao Senhor. Todas as nossas obrigações
para com Deus podem ser resumidas nisto: "Ame o
Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de
toda a sua alma e de todo o seu conhecimento,
este é o primeiro mandamento" (Mt 22.37,38). Se
amamos a Deus, obedecemos aos seus mandamentos
(1 Jo 5.3) e, assim fazemos aquilo que lhe
agrada (1 Jo 2.15; 1 Jo 4.19).
Santidade
- A
santidade divina significa que Deus é separado
do pecado. (Sl
71.22; 78.41; 89.18; Is 1.4; 5.19,24; 6.3).
- A
santidade de Deus proporciona o padrão a ser
imitado (Lv 19.2; 11. 44,45; 20.26; 1 Pe 1.16;
Ex 19.6).
Tal santidade é condição para que O vejamos
(Hb 12.14).
- Não
somente os indivíduos, mas a Igreja deve buscar
a santidade de Deus (Hb 12.10; Ef 5.26,27) até
que venha o dia quando tudo será separado do
pecado e dedicado ao culto divino em verdadeira
pureza moral (Zc 14.20,21).
Justiça
(retidão)
- A
retidão divina significa que Deus sempre age de
acordo com o que é certo e Ele próprio é o
padrão final do que é certo. (Dt
32.4; Gn 18.25; Is 45.19).
- Como
resultado da retidão de Deus, é necessário que
Ele trate as pessoas de acordo com o que elas
merecem. Assim, é necessário que Deus puna o
pecado, pois este não merece recompensa.
- Quando
Cristo morreu para pagar a penalidade de nossos
pecados, Ele demonstrou que Deus é
verdadeiramente justo, porque puniu
apropriadamente o pecado, embora tivesse
perdoado o seu povo dos seus pecados. (Rm
3.25,26).
- Justiça
é obediência a uma norma reta, é a conduta reta
em relação a outra pessoa, Deus não somente
trata justamente seu povo (Is 8.17) como também
requer justiça. Quando o homem peca, Ele o
justifica (Rm 4.5), esta é a base da doutrina da
justificação. O Santo santifica, O Justo
justifica.
D.
Atributos de propósito
Vontade
- A
vontade de Deus é o atributo pelo qual Ele
aprova e determina dar origem a cada ação
necessária para a existência e atividade de si
próprio e de toda a criação. Indica
que a vontade de Deus tem relação com a decisão
e a aprovação de coisas que Deus é e faz, ela
diz respeito às escolhas de Deus do que fazer e
do que não fazer. (Ef 1.11; Ap 4.11; Dn 4.32; Rm
13.1).
- Vontade
revelada: é
a vontade de Deus declarada ao homem, a respeito
do que devemos fazer ou a respeito do que Deus
ordena que façamos. As coisas que Deus nos
revelou são dadas para que obedeçamos a sua
vontade, "para que sigamos todas as palavras
desta lei" (Dt 29.29).
- Vontade
secreta:
são os decretos ocultos de Deus, pelos quais Ele
governa o universo e determina tudo o que vai
acontecer. Confiar na vontade secreta de Deus
subjuga o orgulho e expressa a dependência
humilde do controle soberano de Deus sobre os
eventos de nossa vida. (Tg
4.15).
- Há
perigo em falar dos eventos maus como
acontecendo de acordo com a vontade de Deus,
ainda que vejamos as Escrituras falando deles
deste modo (Gn 50.20; Mt 11. 25,26), pois
podemos pensar que Deus tem prazer no mal, que
Ele não comete (Ez. 33.11) embora possa usar o
mal para bons propósitos (José e Cristo). Outro
perigo é que podemos começar a culpar Deus pelo
pecado, antes que a nós mesmos, ou a pensar que
não somos responsáveis por nossas ações
más.
Onipotência
- Deus
é capaz de fazer toda a sua vontade.
Não
há quaisquer limites quanto ao poder de Deus em
fazer o que Ele decide fazer. (Gn 18.14; Jr
32.17,27; Mt 19.26; Ef 3.20).
- Há,
contudo, algumas coisas que o Senhor não pode
fazer. Deus não pode querer ou fazer nada que
venha a negar o seu caráter. Deus não pode
mentir (Tt 1.2), não pode ser tentado pelo mal
(Tg 1.13) e não pode negar-se a si mesmo (2 Tm
2.13). Embora o poder de Deus seja infinito, o
uso que Ele faz desse poder é qualificado por
seus atributos.
- Deus
nos fez como criaturas que possuem vontade e,
assim exercemos escolhas e tomamos decisões
reais com respeito aos eventos de nossa vida.
Naturalmente não temos poder infinito ou
onipotência, mas Deus nos deu poder para
produzir resultados, tanto físico como de outras
espécies: mental, espiritual, de persuasão e
poder em estruturas de autoridade (igreja,
família, governo civil). Em todas estas áreas, o
uso de poder por caminhos que agradem a Deus e
estejam em harmonia com a sua vontade é algo que
lhe traz glória e reflete o Seu caráter em
nós.
II.
Questionário para revisão
- Descreva
e diferencie dois atributos que descrevem o ser
de Deus.
- Diferencie
misericórdia e graça de
Deus.
- Há
limitações ao poder de Deus?
Explique.
- Explique
o que a Escritura quer dizer quando relata que
Deus se arrependeu.
III.
Passagem bíblica para memorizar
Êxodo
34.6-7
IV.
Sugestão de leitura
- Deus
é tremendo. Tony Evans. Editora
Vida.
- Verdadeiras
profecias. A. W. Tozer. Editora dos
Clássicos.
V.
Apêndice
A palavra usada com maior freqüência para
indicar o arrependimento humano é shûb, que
significa "voltar-se" (do pecado para Deus). Ao
contrário do ser humano, que, convicto do pecado,
sente remorso e tristeza, Deus está livre do
pecado. Assim mesmo a Escritura nos diz que Deus
se arrepende (Gn 6.6-7; Ex 32.14; Jz 2.18; 1 Sm
15.11).
O verbo naham
significa: ter pena, arrepender-se, lamentar, ser
consolado, consolar. Parece que em sua origem a
raiz reflete a idéia de "respirar profundamente"
e, por conseguinte, a manifestação física dos
sentimentos da pessoa, geralmente tristeza,
compaixão ou pena. A grande maioria desses casos
refere-se à compaixão de Deus, não à do
homem.
Deus abranda ou muda sua maneira de lidar
com os homens de acordo com seus propósitos
soberanos. Quando se emprega o termo naham em
relação a Deus, não há contradição com sua
imutabilidade. A partir da perspectiva humana (que
é limitada, humana e finita) a única expressão que
se tem é de os propósitos divinos mudarem. É assim
que o Antigo Testamento afirma que Deus "se
arrependeu" dos julgamentos ou do mal que Ele
havia planejado executar (1 Cr 21.15; Jr 18.8;
26.3,19; Am 7.3,6 Jn 3.10).
Certamente Jr 18.7-10 é um lembrete de que,
da perspectiva divina, o cumprimento da maior
parte das profecias (com exceção das profecias
messiânicas) está condicionado à reação positiva
por parte dos homens. Assim, o juízo, longe de ser
absoluto, é condicional. Uma mudança na conduta
humana provoca uma mudança no juízo
divino.
Outras ocorrências na
Escritura:
·
Noham.
Tristeza,
arrependimento (Os 13.14).
·
Nihum.
Consolo (Is 57.18), compaixão (Os
11.8).
·
Nehama.
Consolo (Sl 119.50; Jó
6.10).
·
Tanhum.
Consolação (Jr 16.7; Is
66.11).
·
Deus
cria o mal?
O verbo rã'a'
designa ser mau, ser ruim, dele tem-se a origem
dos substantivos:
·
ra'.
Mal,
aflição; mau, ruim.
·
rõa.
Maldade,
mal.
·
rã'â.
Mal,
infortúnio, aflição.
A raiz da palavra tem conotação de
"infortúnio", "calamidade", "perversidade". Pode
ocorrer em contextos profanos, "ruim",
"repulsivo", e em contextos morais, "mal",
"impiedade".
Rã'a'
(verbo) designa experiências que causam dor
física (Nm 16.15; 1 Cr 16.22; Sl 105.15) ou
emocional (Gn 43.6; Nm 11.10-11; Rt 1.21; 1 Rs
17.20). No âmbito moral e religioso, o verbo
denota a atividade que é contrária à vontade de
Deus. (Jó 8.20; Is 31.2; Sf
1.12).
Ra'
(substantivo: mal, maldade) denota ferimentos
físicos (Jr 39.12) ou épocas de aflição (Am 6.3;
Is 45.7), mas na maioria das vezes denota
atividade antiética ou imoral contra outras
pessoas, seja por palavras (Sl 41.3; 73.8;
109.20), seja por ações (Mq 2.1; 7.3), seja ainda
por oferecimento de sacrifícios inadequados (Ml
1.8). Tal substantivo aparece frequentemente em
contraste com tôb "bem"
e às vezes com shalom
"paz" onde aparecem como opostos. Ademais o
substantivo é definido como aquela condição ou
ação que é inaceitável aos olhos de Deus (Jr 52.2;
Ml 2.17; Ne 9.28).
Assim,
quando vemos Is. 45.7: "faço a paz e crio o mal",
tal mal aparece em oposição à paz, assim ra'
designa um período de ausência de paz, ou como
uma época de aflição. Deus é o sujeito do verbo rã'a' em
Sl 44.2; Jr 25.29; 31.28. Mq 4.6 e Zc 8.14. Mas o
fato de infligir dor às pessoas não se deve à
maldade; é o juízo justo para os pecadores que não
se mostram sensíveis ao seu chamado ao
arrependimento. No AT, Deus, ao se dizer que faz
rã'a'
aos perversos, não é descrito como alguém que
comete um ato imoral, mas
justo.
Para o homem, que não é justo, mas pecador,
a palavra ra'
designa uma condição interior de perversidade
(Sl 7.9; Pv 12.21) e mais frequentemente descreve
atitudes intimas para com Deus ou o homem. Uma
pessoa pode planeja, desejar, amar e regozijar-se
no ra'
(Sl 52.3; Pv 2.14; 6.14;
12.20).
Retirado
do
Dicionário Internacional de Teologia do Antigo
Testamento. R. Laird Harris (organizador). Ed.
Vida Nova.
:: Cristiano Oliveira -
Jundiai.
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